Governo quer alargar cheques-psicólogo a todos os jovens. Medida suspensa até 2026
O programa dos cheques-psicólogo e cheques-nutricionista, que dá acesso a consultas gratuitas a estudantes do ensino superior, encontra-se temporariamente suspenso desde o início de Setembro, confirmaram o Ministério da Juventude e Modernização e o Ministério da Educação ao P3. O objectivo, justificam, é melhorar o programa e alargá-lo a mais jovens, estando a reactivação destes cheques prevista para o primeiro semestre de 2026.A interrupção é de carácter nacional e aplica-se a todas as instituições de ensino superior, referem ainda os ministérios.Esta suspensão decorre “num processo mais amplo de reformulação do programa”, em que uma das prioridades é alargar o programa a todos os jovens, “independentemente de estarem ou não inscritos no ensino superior, garantindo uma resposta mais inclusiva em matéria de saúde mental e bem-estar”. Outro dos objectivos é ter uma coordenação mais “eficiente e próxima dos públicos-alvo, com um processo mais simples e acessível”.No Orçamento do Estado de 2026 já estava prevista a reestruturação dos programas cheque-psicólogo e cheque-nutricionista, sem que fossem dadas informações adicionais. No documento do Orçamento do Estado, o Governo garantia ainda que haverá um reforço do “apoio aos jovens no acesso a cuidados de saúde, em especial na área da saúde mental”.
A suspensão acontece menos de um ano depois de ter sido lançado o programa, que entrou em vigor a 30 de Setembro do ano passado, dando acesso a consultas gratuitas de psicologia e nutrição para todos os estudantes do Ensino Superior. Esta medida permitia marcar, por aluno, entre uma e seis consultas de nutrição e entre duas e 12 consultas de psicologia.O pedido de cheque era feito uma única vez, utilizando a Chave Móvel Digital ou o cartão de cidadão, recebendo o estudante os cheques para consultas de avaliação – as consultas seguintes já seriam marcadas pelo profissional de saúde. Qualquer estudante inscrito num estabelecimento de ensino superior podia pedir o cheque-psicólogo, referia o Governo no seu site, onde era ainda explicado que o pedido de cheques estava “limitado ao número de cheques disponíveis em cada instituição de ensino superior”.Em Março, seis meses depois do lançamento da medida, mais de 16 mil estudantes tinham pedido estes cheques.Na altura em que foi anunciada a medida, o número de consultas limitadas e os critérios de exclusão das consultas foram motivo de críticas. Entre os critérios de exclusão dos cheques-psicólogo estavam previstos os alunos com necessidades educativas específicas, que apresentem comportamentos adictivos, com diagnóstico de perturbação psicótica ou bipolar, ou de perturbação da personalidade, pensamentos suicidas e sintomas com duração superior a um ano e meio.O Governo refere que tem a saúde mental como uma prioridade e que tem feito um investimento no programa Cuida-te, gerido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), “que disponibiliza consultas de nutrição e psicologia gratuitamente”. Entre 1 de Janeiro e 10 de Outubro de 2025, foram feitos 6331 atendimentos – 4968 relacionados com saúde mental e bem-estar emocional e 335 de nutrição. Este programa oferece apoio (presencial ou online) a jovens dos 12 aos 30 anos não só em questões de saúde mental e nutrição, mas também de sexualidade ou comportamentos adictivos.









