CIÊNCIA

EUA travaram acordo para limitar emissões de carbono no mar

É a primeira vez que a Administração de Donald Trump impede um acordo internacional de prosseguir. A maioria dos países que fazem parte da Organização Marítima Internacional (OMI), uma agência das Nações Unidas, votou nesta sexta-feira para adiar por um ano a decisão sobre um preço global de carbono para o transporte marítimo internacional.Foi impossível chegar a consenso devido à pressão dos Estados Unidos, que ameaçavam com sanções e tarifas as países que aprovassem esta medida que pretende reduzir as emissões de dióxido de carbono no sector, através da taxação dos combustíveis mais poluentes. É talvez o primeiro acordo internacional bloqueado por acção da Administração Trump. A decisão de adiar o acordo é um golpe para a União Europeia e outros países, incluindo o Brasil, que têm vindo a insistir para que o sector marítimo mundial se torne mais ecológico e seja criado um mecanismo de preços que incentive a descarbonização do transporte marítimo.Os EUA e a Arábia Saudita, os dois maiores produtores de petróleo do mundo, opuseram-se fortemente a que fosse estabelecido um preço do carbono para o transporte marítimo durante as conversações em Londres, numa reunião extraordinária da OMI, que tinha começado na terça-feira.Após dias de desacordo, a Arábia Saudita apresentou nesta sexta-feira uma moção para adiar as discussões por um ano, que foi aprovada por uma maioria simples de 57 países, com 49 que pretendiam continuar com um acordo a oporem-se.O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apelou aos Estados-membros da OMI que votassem contra, afirmando na sua plataforma Truth Social que Washington “não vai tolerar este novo imposto verde global sobre o transporte marítimo e não vai aderir a ele de forma alguma”.A Net-Zero Framework, que era o plano em discussão, aplicar-se-ia a navios com mais de 5000 toneladas, que são os responsáveis por cerca de 85% das emissões do transporte marítimo internacional. Se tivessem sido aprovadas, poderiam entrar em vigor já em 2027.”O adiamento deixa o sector do transporte marítimo à deriva na incerteza”, afirmou Faig Abbasov, director do sector do transporte marítimo da associação ambientalista Transport&Environment.

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