É tempo de impor regras aos três “grandes”
Sporting, Benfica e FC Porto estão em guerra. É uma notícia e, ao mesmo tempo, um bom resumo da carreira de qualquer jornalista que tenha coberto futebol de primeiro plano em Portugal pelo menos desde 1974. Segue-se o filme habitual. Vamos vociferar contra os três presidentes, porque sabemos que eles não levam a mal quando são repreendidos em conjunto, e daqui a uns meses elogiá-los em separado pela coragem do próximo comunicado sobre árbitros. Aconteceu exactamente assim com Frederico Varandas há coisa de um ano.Durante décadas, a solução ululava e quem duvidasse dela estava vendido ao sistema: o VAR acabaria com a “suspeição”. O VAR resolveria a fome no mundo, aliás. Houve abaixo-assinados a impô-lo. Cada ciclo de conversa de chacha sobre o comportamento dos três grandes clubes encerrava com recriminações à FIFA, ao Governo e ao Vaticano por ainda não existir videoárbitro. Era tão perverso sonegar o VAR ao futebol como recusar a vacina da poliomielite às crianças.Quando finalmente chegou, o VAR resolveu tudo, menos a falta de imaginação para encontrar algo que o substituísse nas conversas de chacha sobre o comportamento que os grandes continuaram (obviamente) a ter. Durante um curto período, procurou-se recauchutar esse lucrativo círculo vicioso com a “lufada de ar fresco” da “nova geração de dirigentes”. Outra vez na mouche.Eu explico. Não sei se Portugal possui os melhores treinadores e tratadores de relva do mundo, mas posso afirmar, com a segurança de falar em causa própria, que não tem os melhores comentadores de futebol. Há quem se tenha profissionalizado, literalmente, neste círculo vicioso dos grandes e na falsa independência de dizer mal dos três em simultâneo, com uma autoridade moral absurda que, muitas vezes, preenche a incapacidade de falar de futebol. Absurda porque, nos intervalos, o comentário profissional participa tão activamente no conflito de Benfica, Sporting e FC Porto como os próprios clubes. Se uma árvore cai na floresta e uma dúzia de comentadores televisivos fala disso durante dois ou três dias, será que ela fez barulho?Os métodos de Sporting, Benfica e FC Porto (estão pela ordem de classificação 2024-25) são o resultado de um esforço conjunto de muita gente, até com os adeptos à cabeça, e se há uma conclusão a tirar é que não será o futebol profissional a acabar com eles. Não será o VAR, não serão os comentadores televangelistas, não serão as novas gerações (como se sabe, o mundo está cada vez mais sensato), não será a hipocrisia e não serão os clubes parceiros. Se é assim tão importante viver num ambiente desinfectado, então talvez seja tempo de experimentar o que nunca se tentou: impor-lhes regras a partir de fora.










