Sephora impulsiona vendas da LVMH enquanto divisão de moda continua em queda
A LVMH pode respirar de alívio por instantes com as receitas a subirem 1% no terceiro trimestre do ano para um total de 18,3 mil milhões de euros. É o primeiro crescimento do conglomerado francês neste ano, perante uma crise que tem afectado transversalmente os bens de luxo. Contudo, a divisão de moda, onde se enquadram casas como a Louis Vuitton ou a Dior, continua a ressentir-se e caiu 2% no mesmo período.O farol de luz da LVMH é a divisão de retalho, impulsionada pelas lojas de beleza Sephora, que registou um crescimento de 7%. A moda, que representa cerca de metade do total do grupo, viu as receitas caírem para 8,5 mil milhões de euros, embora os resultados tenham sido melhores do que previsto — a Bloomberg previa uma queda de 3,5% — sobretudo quando comparados com as perdas dos últimos trimestres: 9% no segundo; 5% no primeiro.O segmento de beleza, que traz 10% do lucro da LVMH, registou um crescimento “modesto” de 2%, por conta também de novos lançamentos na Christian Dior, como as fragrâncias Miss Dior Essence e Dior Homme ou os cosméticos da linha Dior Forever, explica a imprensa especialista.“Muitas vezes, em ciclos de queda, algumas pessoas tendem a cortar investimentos para proteger as margens; isso pode funcionar a curto prazo, mas provavelmente não é a decisão certa para o desempenho sustentável a longo prazo”, declara ao Business of Fashion a directora financeira da LVMH, Cécile Cabanis, que anuncia que o grupo pretende continuar os seus investimentos apesar destes tempos difíceis. “Temos de continuar a garantir que investimos a quantidade certa de atenção e dinheiro nas marcas.”O terceiro trimestre apresenta ainda uma melhoria das vendas na China, que têm sido um dos maiores motivos de preocupação para as marcas de luxo. As vendas continuam a descer, mas as perdas são “de um dígito” ao contrário do trimestre passado. “Ainda vai demorar algum tempo até termos uma recuperação na China”, reconhece a responsável.Cécile Cabanis recusa-se a comentar outros temas que têm envolvido a LVMH nos últimos meses, como a polémica com as fábricas italianas da Dior e da Loro Piana, colocadas sob administração judicial por suspeitas de exploração dos trabalhadores. A directora financeira também não quis falar sobre a possibilidade de o conglomerado vir a adquirir uma percentagem da Giorgio Armani, um desejo expresso pelo próprio criador no seu testamento, conhecido após a sua morte a 4 de Setembro.
Nos últimos meses, a LVMH tem-se esforçado para inverter os resultados sobretudo através da renovação criativa das suas casas de moda. Jonathan Anderson acaba de se estrear ao leme da Dior e trouxe uma nova linguagem criativa, mais arrojada e mais jovem do que a da sua antecessora Maria Grazia Chiuri, que, depois de ter impulsionado as vendas durante oito anos com a assinatura feminista, conduziu a etiqueta a uma estagnação financeira.Grazia Chiuri mantém-se, todavia, ligada à LVMH e, nesta segunda-feira, foi anunciada como directora criativa da Fendi, a quarta maior força do conglomerado, que também detém outros nomes como a Berluti, a Loewe, a Givenchy, a Celine, a Marc Jacobs ou a Kenzo.










