Paolla Oliveira é chefe do tráfico na nova temporada de <em>Rabo de Peixe</em>
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A atriz Paolla Oliveira, 43 anos, é a poderosa chefona na segunda temporada de Rabo de Peixe — que ganhou o título de Mar Branco, no Brasil —, com estreia marcada para esta sexta-feira, 17 de outubro, na Netflix. “Ela entra na história como dona de tudo, dona do tráfico, entra para pegar todo mundo, diz que vai resolver tudo, cheia de certezas”, diz Paolla sobre sua personagem.Baseada em uma história real, na primeira temporada, a série mostrou que um barco usado pelo tráfico internacional de drogas sofre um acidente e a carga que estava carregando acaba no mar, sendo levada para o povoado de Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, nos Açores, no meio do Oceano Atlântico. É a localidade mais pobre do arquipélago português, com um sotaque muito fechado, que muitos moradores de Portugal têm dificuldade para entender. A cocaína muda toda a vida da região.Paolla, que contracena com Caio Blat, seu comparsa na história, ressalta porque Rabo de Peixe se transformou em um sucesso internacional. “É uma série jovem, moderna, com muitação. Por isso, dá para entender porque ela rompeu os limites do país e ganhou o mundo”, afirma. Ela acredita que a segunda temporada também será um sucesso.Sobre a novela Vale Tudo, que está em sua última semana no Brasil e vem sendo exibida em Portugal, Paolla diz que não sabe quem matou a vilã Odete Roitman. Mas a atriz, que interpreta a personagem Heleninha, uma das principais suspeitas do crime, torce para que o assassino seja o vilão Marco Aurélio, vivido por Alexandre Nero. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista que Paolla Oliveira concedeu ao PÚBLICO Brasil.Como você foi convidada para participar da série Rabo de Peixe?A gente começou uma conversa, e me falaram que a série teria uma personagem brasileira. Eles já me conheciam, mas, mesmo assim, eu mandei umas produções para eles darem uma olhada e verem se eu tinha mesmo potencial para fazer essa mulher que é chefe do tráfico, é muita coisa. São duas personagens, porque eu e o Caio Blat fazemos uma dupla. São duas personagens importantes para manter o calor da segunda temporada. A única coisa que eu disse foi: qual é a possibilidade de eu ir? Eu quero.Você já conhecia a série?Eu já tinha escutado falar, mas confesso que maratonei a série todinha depois dessa possibilidade (de participar da segunda temporada). Eu adorei. Acho uma série jovem, moderna. Por isso, dá para entender porque ela rompeu os limites do país e ganhou o mundo. Ela tem vários elementos para quem gosta de séries. Tem ação, emoção, gente jovem, mas também tem camadas mais profundas dos personagens, principalmente, nesta segunda temporada. Tem tudo o que a gente gosta.Por que você a escolhida?Sabe que eu não sei porquê? Mas imagino que eles devem ter pensado nessa mulher que tinha que ter algum artifício para ser grande, intensa, como a personagem pede. Se você entra na segunda temporada de um trabalho de sucesso, que já está acontecendo, que as pessoas já conhecem os personagens, simplesmente, ela entra dona de tudo, dona do tráfico, entra para pegar todo mundo, diz que vai resolver tudo, cheia de certezas. Eu espero que tenha sido por isso que eles me escolheram. Acredito que é um combinado, para uma personagem brasileira, por eu ser conhecida, e precisavam de alguém que tivesse condições de ter essa força dentro da história.E como você construiu essa personagem?Essa personagem foi muito construída a partir do que o diretor da série me contou, porque ele não só dirige, como escreve o roteiro. Então, ele conhece muito do enredo. Mas também foi criada pela história da primeira temporada, porque, afinal de contas, é uma continuidade. E, aí, teve um elemento: fui procurar saber como é a ligação entre o Brasil e os Açores, e surgiu Florianópolis (Santa Catarina). A primeira ideia era de que a personagem fosse de Florianópolis, e eu quis entender o porquê. Mas, mais do que tudo, sabia que tinha que romper essa barreira de ser uma série que já existe, em que você tem que chegar com peso e com força. Escolhi um tom um pouquinho diferente deles, exatamente porque já estão muito entrosados, são muito ágeis, e a série tem uma modernidade. Optei por um tom um pouquinho mais ameno, exatamente para criar esse contraponto.Como foi chegar aos Açores, em São Miguel?Os Açores são um paraíso, e foi uma descoberta para mim. Chegar em Rabo de Peixe e conhecer um pouquinho mais do local onde foi o início dessa história, saber que é real e que todo aquele povo foi impactado com a série e ver o carinho que todos têm por ela. A Maria (João Bastos, atriz portuguesa da série) estava falando que, quando ocorre a rodagem, a gente imagina que será um grande trabalho. A gente já sente isso quando está no set de filmagens, mas é diferente quando ganha corpo, quando ganha vida própria. Ver essa descoberta lá, através de quem vive na ilha, foi muito legal.
“Acho uma série jovem, moderna, com ação. Por isso, dá para entender porque ela rompeu os limites do país e ganhou o mundo”
E deu para conhecer os Açores?Conheci. Fiquei lá uns 10 dias. Até o Diogo (Nogueira, seu namorado) foi baixar nos Açores. Foi ótimo conhecer e estar ali. Viajando, a gente sempre acaba se conectando um pouco mais.O cinema brasileiro tem ganhado muito espaço internacionalmente, com indicações ao Oscar. A produção de televisão brasileira também foi muito conhecida no mundo, mas perderam força. Por quê?São trabalhos tão diferentes. Acho que o cinema tem uma característica mesmo de avançar um pouco mais, de ser mais global. Agora, temos séries que conseguem ir para o mundo. Os filmes conseguiram fazer isso, mas a televisão, ainda mais falando nosso país, que é gigante, é uma grande produção e sempre será, mesmo não extrapolando os limites. Portugal, como um todo, consome as nossas novelas. E me lembro de novelas minhas sendo vendidas para a França, para outros países. Somos conhecidos, por exemplo, na África. Acho que o cinema tem uma característica de ser mostrado para o Brasil com os festivais, com os prêmios, de uma outra maneira, mas, sem dúvida, a nossa novela ainda é um grande produto.Hoje, o mercado internacional está sendo tomado por novelas turcas, doramas, k-dramas.Acho que o Brasil sempre teve um conceito muito grande de novelas. Eu, sempre que ouvia falar sobre novelas, era sobre as novelas do Brasil. Agora, que passamos a ouvir sobre as produções turcas, sobre as doramas da vida. Mas, toda vez que ouço sobre as grandes produções, são de novelas brasileiras tomando um espaço no mundo. Inclusive sendo vendidas para a Europa e tendo um espaço gigante em Portugal. Acredito que a produção de novela ganhou um corpo, coisa que, no cinema, já existia. A gente vê o cinema em um outro lugar, principalmente pelas premiações.E como é que você vê o cinema brasileiro atualmente?O cinema brasileiro é uma potência, inclusive falando de regiões do Brasil que não eram muito mostradas, como o Norte do país. Temos produções com diretoras escrevendo e dirigindo. Acho que é um ótimo momento do cinema, mesmo depois de terem tentado quebrar um elo das artes e da cultura no Brasil. O cinema segue firme, e acredito que seja uma curva que ainda está em ascensão, ainda está subindo.Como vê a produção de séries no Brasil para streaming. Como vê esse crescimento?Eu acho maravilhoso. A partir do momento que o streaming passa a globalizar o trabalho, nada mais justo do que as produções do Brasil, as produções locais, também serem grandiosas. É o caso de Pssica, que ficou um tempão no top 10 no Brasil. Todas as produções brasileiras, quando estão no streaming, entendemos que elas como indo para o mundo. E isso é muito importante para tudo que a gente faz.Você está na novela Vale Tudo, acaba esta semana no Brasil. Quais são seus próximos projetos?Primeiro, férias, porque fiquei um ano trabalhando direto. Acabou de estrear um filme no Brasil, que ganhou um prêmio do júri popular de melhor filme, A Herança de Narcisa (no Festival do Rio 2025). Então, agora, vou descansar. Acho que é bom termos uma pequena pausa entre uma coisa e outra para poder se renovar, se reenergizar. Afinal de contas, o trabalho passa pelo nosso corpo, pelas nossas emoções.
Paolla Oliveira como Heleninha, de “Vale Tudo”, novela que chega ao fim no Brasil e está sendo exibida em Portugal
Divulgação
E em Vale Tudo, matou Odete Roitman?Você está querendo saber quem matou? Eu não sei. Eu sei que a Heleninha está enrolada, mas não sei se foi ela que matou não.Quem você acredita que é o assassino?Tem que ser um vilão, o Marco Aurélio. Acho que é ele que tem que ter matado. É bom o vilão no lugar do vilão. Acho que isso conta um pouco sobre a história da novela.
“A partir do momento que o streaming passa a globalizar o trabalho, nada mais justo do que as produções do Brasil, as produções locais, também serem grandiosas”
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