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Movimentos independentes e as limitações do Chega nas eleições autárquicas de 2025

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Ao verificar o panorama nacional das eleições autárquicas (municipais) em Portugal, podemos dizer que os movimentos independentes são a terceira maior força política do país, em quantidade de concelhos. Isto significa que, durante os próximos quatro anos, vinte municípios serão governados por cidadãos independentes que, pelas mais variadas razões, não se enquadram em nenhuma força partidária.Este número revela que a população deseja mudanças na política, discursos inovadores, novas ideias e até novos rostos. O que nos leva a pensar que, apesar do rosto de André Ventura constar em todos os outdoors espalhados pelo país, ao lado dos seus candidatos às autarquias, a sua irreverência não foi suficiente para convencer eleitores país afora, a nível local.E, apesar das suas frases falaciosas como “limpar a Amadora”, “salvar Portugal” ou “acabar com o compadrio”, o partido de Ventura não cativou tanto a população portuguesa, visto que, nas frases feitas, constavam profundas lacunas de compromissos.Para além das Câmaras Municipais de São Vicente, Entroncamento e Albufeira, o Chega conseguiu, claro, eleger alguns vereadores e deputados de assembleias. Contudo, não alcançou o objetivo tão grandioso como o líder Ventura tem feito parecer nas horas posteriores aos resultados autárquicos.Parece que o líder da direita populista radical portuguesa almejava conquistar 60 concelhos, porém, não conseguiu superar a marca de apenas três municípios, sendo um deles no arquipélago da Madeira.Talvez seja possível concluir, através desta breve reflexão, que o Chega não tem tido tanta importância como seus atuais integrantes lhe dão e que, ao invés de se mostrar como um partido revolucionário, antissistema e “anti-bandalheira”, o que ficou visível nas campanhas autárquicas foi uma pálida panóplia de propostas vazias, definidas em ocos programas eleitorais, que não se traduziram em resultados majestosos.Provavelmente, a maior frustração do atual deputado do Parlamento português e de seus companheiros deve-se à desconexão entre os resultados das eleições autárquicas e os resultados das últimas legislativas. Se, no Parlamento, o partido de André, Rita, Frazão e Pinto conseguiu 60 deputados, agora, nas autárquicas, os elementos do Chega terão que amargar a módica quantidade de apenas três presidentes de Câmaras.Voltando ao tema dos movimentos independentes, é sempre importante a existência de vozes e lideranças das mais variadas frentes de luta política. Mas é inegável que a organização partidária, quando bem conduzida, pode ser capaz de produzir melhores efeitos para as populações, principalmente se os partidos tiverem na sua gênese a natureza problematizadora da superestrutura, comumente promotora de sociedades desiguais.Verificamos que a seguir ao PSD, o PS e aos independentes, a CDU se manteve à frente do CDS e do Chega, fazendo-nos retirar destes resultados que a pauta divisionista não venceu na sociedade portuguesa. Aliás, saiu capenga e murcha, no sexto lugar do pódio autárquico.
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