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Candidato da oposição reclama vitória nas eleições presidenciais dos Camarões

O candidato da oposição Issa Tchiroma Bakary proclamou, esta terça-feira, a sua vitória nas eleições presidenciais dos Camarões, desafiando o Presidente Paul Biya, que aos 92 anos, é o chefe de Estado mais antigo do mundo – no poder há 43 anos -, a reconhecer os resultados de uma “vitória clara” das urnas. As autoridades eleitorais ainda não confirmaram qualquer resultado, e o Conselho Constitucional tem até 26 de Outubro para anunciar os números oficiais.Num discurso transmitido nas redes sociais e em emissoras locais, Tchiroma afirmou que “o povo escolheu e essa escolha deve ser respeitada”, garantindo que publicará em breve os resultados por região para comprovar a sua “vitória esmagadora”. O antigo ministro de Biya apelou às forças armadas e às instituições do Estado para que “se mantenham ao lado da República” e advertiu o Governo para não “afundar o país na confusão”.O ministro da Administração Territorial, Paul Atanga Nji, avisou que apenas o Conselho Constitucional pode declarar o vencedor. Nji classificou qualquer anúncio unilateral como “alta traição”, num aviso que ecoa as eleições de 2018, quando o opositor Maurice Kamto foi detido após reivindicar vitória sobre Biya.


Tchiroma: de aliado a rivalDurante décadas, Issa Tchiroma Bakary foi uma das vozes mais leais do regime. Engenheiro ferroviário formado em França, regressou aos Camarões nos anos 1980 e ocupou várias pastas ministeriais, incluindo as dos Transportes, Emprego e Comunicação – esta última, durante a repressão militar nas regiões anglófonas.Aos 76 anos, surpreendeu o país ao demitir-se em Junho, acusando o Governo de corrupção e de desviar a riqueza nacional. A sua candidatura, apoiada por uma coligação de partidos e movimentos cívicos, a União para a Mudança, defende uma transição pacífica e o restabelecimento de um sistema federal.Num gesto inédito, Tchiroma pediu desculpa públicas pelos anos em que defendeu o regime. “Na minha qualidade de ministro, fiz algo que distorceu, que feriu a vossa mente. Mais uma vez, quero que me perdoem, porque peço desculpa”, afirmou, este mês, durante uma acção de campanha numa região anglófona do país. O gesto valeu-lhe apoio inesperado entre jovens e antigos eleitores do opositor Maurice Kamto.Enquanto o Conselho Constitucional apura os resultados, cresce a incerteza. As redes sociais enchem-se de contagens não verificadas e de vídeos de celebrações, tanto em Yaoundé, capital dos Camarões, como no Norte do país, reduto de Tchiroma.A União Africana e observadores internacionais apelaram à calma e ao respeito pelos canais institucionais, lembrando que o país continua dividido, e que qualquer contestação nas ruas poderá reacender tensões antigas.Independentemente do resultado, a candidatura de Tchiroma já abalou o equilíbrio político dos Camarões. Pela primeira vez em décadas, a sucessão de Paul Biya deixou de ser um tema proibido. E, mesmo que o actual Presidente mantenha o cargo, o seu poder parece cada vez mais frágil.Texto editado por Paulo Narigão Reis

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